A luta das mulheres por igualdade de oportunidades

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Em 1919, a Conferência do Conselho Feminino da OIT (Organização Internacional do Trabalho) aprovou uma resolução que determina salário igual para homens e mulheres que desempenhem a mesma função. Quase um século depois, a desigualdade salarial persiste no mundo todo em quase todas as funções. A exceção é a Islândia que em janeiro de 2018 adotou uma lei que obriga as empresas a igualarem os salários para homens e mulheres. A meta é acabar com a desigualdade até 2020.

No Brasil, as mulheres são maioria da população, mais escolarizadas, vivem mais, são mães de família em quase 40% dos lares. No entanto, o país figura entre os mais desiguais, ocupando a 90ª posição entre 144 nações, segundo relatório do Fórum Econômico Mundial.

Dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), indicam que o rendimento médio dos brasileiros era de R$ 1.808 em 2017, sendo a média masculina de R$ 2.012 e a feminina de R$ 1.522, ou quase 25% a menos.

Outro fenômeno que ocorre não só no Brasil é que a crise econômica afeta mais as mulheres do que os homens. Com base nos dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) destaca que em 2017 as mulheres perderam 42,5 mil postos de trabalho, enquanto para os homens teve a criação de 21,7 mil empregos com carteira assinada.

A reforma trabalhista foi um grande retrocesso para toda a classe trabalhadora, mas as trabalhadoras foram prejudicadas particularmente pelo artigo que permite o trabalho de gestantes e lactantes em ambientes insalubres. Aqui na base dos metalúrgicos de Santo André e Mauá, essa medida tão polêmica não é aplicada graças à convenção coletiva do trabalho, assinada pelo Sindicato, assegurando o afastamento automático de gestantes de locais insalubres.

Mensagem da companheira Léa

Mesmo com a desigualdade nas oportunidades que persiste até hoje, quem imaginaria que só em 1962 a mulher deixou de depender da autorização do marido para trabalhar. Isso ocorreu 30 anos depois de as mulheres terem conquistado o direito ao voto. O quadro nesta página registra os principais avanços conquistados pelas mulheres com suas lutas ao longo do tempo.

A nossa categoria teve na companheira Léa Aparecida de Oliveira, que trabalhou na antiga Constanta entre 1974 e 1982, uma líder atuante nos movimentos populares, sindicais e culturais. Em 1982, ela elegeu-se vereadora em Mauá pelo PT. Léa faleceu prematuramente, aos 33 anos, em grave acidente no dia 19 de junho de 1988.

Poeta e escritora, Léa, a metalúrgica, como assinava, deixou o poema que ilustra esta página, escrito em 1981, quando o Sindicato estava sob intervenção. Os tempos são outros, mas a mensagem é atual como nunca.

Os avanços na luta das mulheres

1927 - Alzira Soriano de Souza foi eleita a primeira prefeita da História do Brasil, no município de Lages (RN). antes mesmo de as mulheres terem direito a voto.

1932 – As mulheres conquistam direito ao voto.

1975 – Liderado pela ativista Therezinha Zerbini, foi criado o Movimento Feminino pela Anistia.

1977 – Almerinda Leivinha Araújo Silva foi a primeira vereadora em Mauá.

1985 – Foi criada em São Paulo a primeira Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher. Também nesse ano foi criado o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher.

1988 - Através do lobby do batom, liderado por feministas e pelas 26 deputadas federais constituintes, as mulheres obtiveram avanços na Constituição, garantindo igualdade de direitos e obrigações entre homens e mulheres perante a lei.

1994: Roseana Sarney é a primeira mulher eleita governadora de um estado, o Maranhão.

1996: O Congresso Nacional incluiu o sistema de cotas que obriga os partidos a inscreverem, no mínimo, 30% de mulheres nas chapas proporcionais.

2003 - No governo Lula, a Secretaria de Estados dos Direitos da Mulher ganha status de Ministério e se torna Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres.

2003/2004 – Então vereadora desde 1997, Ivete Garcia (PT) foi a primeira mulher a presidir a Câmara de Santo André.

2006 – Foi sancionada a Lei 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha, a qual cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher.

2010: Dilma Rousseff é eleita a primeira presidente mulher do Brasil e reeleita em 2014.

Cícero Martinha

Presidente licenciado do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá

Departamento da Mulher do Sindicato

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