Brasil clama pela paz

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As informações da execução sumária da vereadora Marielle Franco (Psol-RJ) e do motorista Anderson Gomes começaram a circular nas últimas horas do dia 14 de março. Poucas horas depois, o Brasil amanheceu sob o impacto dessa notícia que se espalhou pelo mundo rapidamente. Numa velocidade poucas vezes vista, centenas de milhares de pessoas foram à rua protestar no Rio, em São Paulo e também no exterior.

Num país em que só em 2016 registrou 4.657 assassinatos de mulheres, dessas mais de 3.000 negras, por que o assassinato de Marielle causou tanta comoção e indignação? Além de mulher, negra e da favela, Marielle, em seu primeiro mandato de vereadora no Rio, lutava contra a injustiça social; contra a intolerância de toda natureza; contra as arbitrariedades e truculência policial e de milicianos; contra a violência, falta de segurança e assassinato de policiais, e em defesa dos direitos humanos.

Tudo somado era demais para aqueles que se acham acima da lei e apostam na impunidade para mandar e desmandar em “seus territórios” onde falta a presença do poder público, por isso viram na figura de Marielle um obstáculo a ser removido sumariamente e mostrar sua força.

Informações desencontradas marcam a intervenção

Essa tragédia é cercada de um ingrediente adicional. O Rio de Janeiro está sob intervenção militar em segurança pública há pouco mais de um mês. Nesse período, nenhum plano foi apresentado à população, nem houve a prestação de contas do que foi feito nos primeiros 30 dias de intervenção. Só informações vagas e desencontradas.

O que o governo anunciou agora é que sairão da chamada reoneração de folha os recursos a serem aplicados na segurança no Rio. De cara, essa proposta esbarra em alguns problemas. Primeiro, o projeto de reoneração ainda tem de ser votado no Congresso Nacional. Mesmo que passe no Legislativo, o que vier a ser arrecadado é da Previdência Social. Justamente a Previdência que, segundo o próprio governo, terá neste ano um rombo de aproximadamente R$ 270 bilhões.

Com o assassinato brutal de Marielle, não há como deixar cair no esquecimento os vários crimes políticos que abalaram o quase meio século da história recente do Brasil:

- O jornalista Vladmir Herzog morreu durante uma sessão de tortura no dia 25 de outubro de 1975, em São Paulo;

- O metalúrgico Manoel Fiel Filho foi assassinado em 17 de janeiro de 1976 nas dependências do DOI-Codi, em São Paulo, e provocou a queda do então comandante do 2º Exército;

- O seringueiro e sindicalista Chico Mendes foi assassinado em 22 de dezembro de 1988, em Xapuri (PA), na porta de sua casa;

- A juíza Patrícia Acioli, que se tornara conhecida por combater o crime organizado no Rio, foi executada com 21 tiros, na porta de sua casa, no dia 12 de agosto de 2011.  

Brasil é recorde mundial em homicídios

O Rio de Janeiro está no centro das discussões sobre a segurança pública no Brasil, mas a violência está espalhada por todo o país, atingindo principalmente os pobres, negros e da periferia. Em 2016, o Brasil registrou mais de 61,6 mil mortes violentas, um recorde mundial. Isso dá uma média de quase 30 homicídios por 100.000 habitantes. O Rio tem o maior número de vítimas, mas é Sergipe o Estado com a maior taxa de homicídios: 64 casos para cada grupo de 100.000 habitantes.

Em memória de Marielle e para não deixar calar a sua voz, exigimos mais do que justiça, com a punição exemplar dos assassinos e dos mandantes do crime. Que a morte prematura e brutal de Marielle seja um marco para a virada de que o Brasil precisa tanto.

Uma virada para a construção de um Brasil mais justo, com segurança e sem ódio. Onde as crianças possam brincar e ir às escolas livremente, sem serem vítimas de balas perdidas. E que o Brasil e o mundo não precisem mais lamentar assassinatos de outras Marielles.

Cícero Martinha

Presidente licenciado do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá

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