Economia real só cresce com empregos de qualidade

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Se há um setor econômico no Brasil que não sabe o que é tempo ruim é o dos bancos. Em 2017, ano em que a economia do Brasil cresceu mísero 1% depois de amargar dois anos de recessão brava, os quatro maiores bancos – Banco do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander – lucraram juntos R$ 64,9 bilhões. Esse número representa um crescimento de 21% sobre o lucro desses bancos em 2016.

Para ter uma ideia da grandeza do lucro de R$ 64,9 bilhões dos bancos, basta mencionar que o governo do Rio Grande do Sul, o quarto maior Estado brasileiro, espera arrecadar neste ano R$ 63,2 bilhões para manter o Estado em funcionamento, custeando Educação, Saúde, Segurança, funcionalismo público etc, para atender uma população de 11,3 milhões de pessoas.

Com reforma trabalhista, emprego informal cresce

Enquanto o setor financeiro ganha cada vez mais, a economia real do Brasil patina, ao contrário da promessa do governo Temer de que a reforma trabalhista, em vigor há quase cinco meses, criaria empregos e estimularia o desenvolvimento do país.

- Desemprego – No trimestre dezembro 2017/fevereiro 2018, o mais recente dado divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a taxa de desemprego voltou a subir, para 12,6%, atingindo 13,1 milhões de pessoas.

- Emprego informal em alta - Outro sintoma da deterioração do mercado de trabalho é a queda do emprego com carteira assinada. No trimestre encerrado em fevereiro, 33,1 milhões de trabalhadores tinham carteira assinada, uma queda de 1,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Em 2017, foram criadas 1,8 milhão de vagas informais, enquanto o setor formal perdeu 685 mil vagas.

- Mercado informal desestimula o consumo – Trecho da reportagem publicada pelo jornal “Folha de S.Paulo” em sua edição do dia 26 de março, diz: “A propensão a consumir de um empregado formal, que tem mais segurança e acesso ao crédito, é maior do que a de um informal”, segundo Marcelo Gazzano, economista da consultoria AC Pastore. O mesmo especialista conclui: “Não dá para dizer: não haverá recuperação econômica pelo consumo. Ela virá. Mas menos robusta do que se imaginava em razão da profunda alteração no mercado de trabalho”.  Calcula-se que a renda média de trabalhador informal e de pequeno empreendedor chegue à metade do rendimento do trabalhador com carteira.

- Micro e pequenas empresas – Segundo dados do Sebrae-SP, as micro e pequenas empresas industriais fecharam 2017 com uma queda de 0,7% no faturamento e redução de 0,9% no quadro de pessoal no Estado de São Paulo. Por região, o Grande ABC registrou o pior resultado: retração de 7,7% no faturamento em 2017 na comparação com 2016. Segundo o Sebrae, o ABC só esboçou uma ligeira reação em outubro de 2017. Vale destacar que são as micro e pequenas empresas que criam mais empregos no Brasil por isso precisariam de incentivos. 

- Juros impagáveis – A taxa Selic, considerada a taxa básica de juros, nunca chegou a níveis tão baixos quanto agora, caindo para 6,5% ao ano. Mas, para nós, os pobres mortais, fica a pergunta: por que os bancos cobram juros tão altos, que podem superar os 300% ao ano, quando pedimos um empréstimo, entramos no cheque especial ou rolamos a fatura do cartão de crédito?

É preciso quebrar o círculo vicioso que emperra economia real

Aí começa o inexplicável que justifica, em grande parte, por que os bancos lucram tanto no Brasil. Uma das “explicações” dos banqueiros é que os juros são exorbitantes porque o calote é alto. E quanto mais os juros sobem mais as empresas e as pessoas físicas não conseguem pagar suas dívidas. É igual aquela propaganda que perguntava se os biscoitos Tostines vendem mais porque são crocantes ou são crocantes porque vendem mais?

Os bancos deitam e rolam porque a concentração no setor é absurda: em 20 anos, os quase 40 bancos viraram quatro gigantes que, atualmente, detêm mais de 72% dos ativos bancários. A título de comparação, nos Estados Unidos existem aproximadamente 7.000 bancos e instituições de poupança de todos os portes.

Nesse contexto de crédito restrito, nem mesmo o Bndes (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) se salva, apesar do social que leva em seu nome, tamanha é a burocracia que exige quando as empresas, em especial as de menor porte, querem um financiamento para produzir.

Cria-se, assim, um círculo vicioso, que precisa ser quebrado com políticas de Estado que estimulem a economia real, com geração de empregos, mais renda, mais consumo, mais produção etc. E menos especulação dos banqueiros e financistas. As eleições de outubro são a grande oportunidade que temos para mudar os rumos do Brasil que queremos.

Por isso, o lema do 1º de Maio da Força Sindical neste ano é “Empregos! Empregos! Empregos!”

Cícero Martinha

Presidente licenciado do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá

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