Por que é preciso fortalecer a Cipa

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Um levantamento feito pelo MPT (Ministério Público do Trabalho) indica que entre 2012 e 2017 houve o registro de 3.879.755 de CATs (Comunicação de Acidente do Trabalho) no Brasil. No mesmo período, 14.412 trabalhadores perderam a vida. Só os custos dos acidentes do trabalho para a Previdência Social somaram R$ 26,2 bilhões, inclusos nessa conta auxílio-doença, aposentadoria por invalidez, pensão por morte e auxílio-acidente.

Ocorre que esses números referem-se apenas aos trabalhadores com carteira assinada. O que significa que a realidade é muito mais dramática. Tanto que o professor José Pastore, pesquisador da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), da USP, estima que o gasto do Brasil com os acidentes do trabalho ultrapasse a cifra de R$ 100 bilhões ao ano, incluindo aí o atendimento no SUS, os gastos com reabilitação e as ações judiciais, entre tantos outros. E a maior parcela dessa fatura quem paga somos nós, os cidadãos que pagamos os impostos em dia, e não as empresas.

“Nós temos uma cultura no Brasil de que o trabalhador acidentado não é problema da empresa, é problema da Previdência. Não é justo que toda a sociedade arque com essa despesa com base em descumprimento, por parte das empresas, de regras mínimas de saúde e segurança do trabalho”, criticou o procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Fleury, recentemente, ao anunciar os dados do MPT.

Importância do papel da Cipa

Esses números falam por si sós por que o papel da Cipa em prol da saúde e segurança do trabalhador nas empresas é importante. Pois os cipeiros, antes de qualquer coisa, têm de atuar preventivamente para evitar os acidentes e as doenças ocupacionais.

Porém, quando um trabalhador ou uma trabalhadora sofre um acidente ou adoece o que menos importa é o possível impacto financeiro. Dependendo da situação, a pessoa perde a autoestima e a família sofre junto. São perdas ou danos irreparáveis e impossíveis de serem mensurados. São marcas que a pessoa pode carregar para o resto da vida.

Por isso, o Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá, em seus quase 85 anos de existência, sempre lutou e continuará a lutar em defesa da saúde do trabalhador. Foi com esse objetivo que em 1986 criou o Departamento de Saúde do Trabalhador.

Avanços vieram com luta do movimento sindical

“As empresas eram uma verdadeira carnificina”. É assim que Cícero Firmino, o Martinha, secretário estadual do Emprego e Relações do Trabalho e presidente licenciado do Sindicato, costuma lembrar como os trabalhadores eram tratados no Chão de Fábrica, sendo obrigados a operar máquinas que eram mutiladoras de gente, a exemplo de prensas sem quaisquer mecanismos de proteção.

Foi graças à luta ferrenha do movimento sindical nos anos 1980 que houve avanços em relação à saúde do trabalhador na Constituição de 1988 e com a atualização de regras como a NR 12. Aliás, norma essa que vive sob ataque constante dos empresários, que pressionam o Ministério do Trabalho para “suavizar” as exigências.

Reflexos da reforma trabalhista na saúde do trabalhador

Hoje, a situação é outra no Chão de Fábrica, e os problemas que afetam a saúde física e mental dos trabalhadores também sofreram mudanças, mas o quadro continua tão grave quanto antes. Se na década de 1980 a luta do movimento sindical era para que o que passou a ser chamado de LER/Dort fosse reconhecido como doenças ocupacionais, hoje as doenças mentais é que preocupam.

Segundo a Previdência Social, os episódios depressivos já são a 10ª causa mais frequente de afastamento dos trabalhadores do local de trabalho, ficando atrás de dor nas costas e fraturas em diferentes partes do corpo.

Com a reforma trabalhista, o assédio moral tende a aumentar no ambiente de trabalho devido às pressões e cobranças sobre os trabalhadores, elevando consequentemente a ocorrência dos distúrbios mentais. E é dentro dessa realidade que a Cipa e o Sindicato devem atuar em conjunto, cobrando das empresas medidas preventivas necessárias para preservar a segurança no ambiente de trabalho. Sem esse trabalho, o próprio cipeiro de hoje pode ser a próxima vítima.

Assim, no dia 1º de julho, às 9h, o Sindicato vai reunir os cipeiros para um encontro na sede em Santo André. A participação de todos é importante para a troca de experiências e discussão de estratégias para que os cipeiros possam atuar com liberdade no cumprimento das suas responsabilidades.

Com a saúde física e mental do trabalhador não se brinca.

Cícero Firmino (Martinha)

Presidente licenciado do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá

Osmar César Fernandes

Presidente em exercício do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá

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