Não se pode esquecer jamais a lição de 1978

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“O medo acabou”. Foi com essa manchete que há 40 anos o nosso jornal “O Metalúrgico” fazia o balanço da primeira grande greve durante a ditadura militar, movimento que começou no Grande ABC e se espalhou para outras regiões entre maio e junho de 1978. Na base do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá, os trabalhadores da Molins, Cofap, Philips e Pirelli foram os primeiros a cruzarem os braços no dia 17 de maio de 1978. Depois, veio o efeito dominó e 90% da categoria aderiu à greve, conquistando reajuste de no mínimo 9%.

Na época, a inflação anual beirava os 40% e estava em vigor a famigerada lei 4.330/1964, sancionada pelo então presidente Castello Branco e com regras que tornavam praticamente impossível deflagrar uma greve. E os trabalhadores enfrentavam forte arrocho salarial agravado com a inflação maquiada que resultou em perdas de 34,1%. Era a época em que o governo pregava que era preciso “crescer o bolo primeiro para distribuir depois”. Mas a distribuição não vinha nunca.

Foi nesse contexto que os metalúrgicos cruzaram os braços para reivindicar a reposição salarial de 20%. E claro a não punição dos grevistas, pois na época a repressão era brava, com prisão de líderes e intervenção em sindicatos. A qualquer movimento dos trabalhadores os patrões chamavam a polícia. Além disso, o movimento sindical já começava a lutar também por melhores condições para os trabalhadores, a exemplo de ônibus fretado para os horistas.

Vale um registro também o papel das trabalhadoras na greve na Brosol. Foram as mulheres que lideraram o movimento, que logo teve a adesão dos homens. A resistência delas obrigou a empresa a ceder, concedendo reajuste de 15% mais antecipação de 5%.

“A greve de 1978 produziu uma nova consciência”

A greve de 1978 foi um divisor de água sob qualquer ângulo que se olhe. O movimento sindical no Grande ABC virou uma referência em nível nacional, pois provou na prática que com a organização dos trabalhadores é possível romper barreiras e passar por cima de leis, mesmo tendo de enfrentar um regime ditatorial. E sem ficar esperando que o governo tome alguma medida ou que o Congresso Nacional crie uma nova lei.

A greve também projetou muitas lideranças nacional e até internacionalmente, a começar pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 1998, na comemoração dos 20 anos da greve, em entrevista ao “Diário do Grande ABC”, Lula declarou: “A greve de 1978 produziu mais do que novas lideranças. Produziu uma nova consciência. Os metalúrgicos ganharam uma nova importância, passaram a ter orgulho de pertencer à categoria, conquistaram amor próprio. A nossa autoestima estava a mil por hora”.

É hora da nossa união em defesa dos direitos

E por que é importante recuperarmos a luta dos trabalhadores de 40 anos atrás?

Porque, agora, o que está por trás da reforma trabalhista (Lei 13.467/2017), em vigor desde novembro de 2017, é o claro propósito de dificultar ao máximo a organização dos trabalhadores, enfraquecendo os sindicatos inclusive financeiramente. Com o enfraquecimento da organização, os trabalhadores viram presa fácil dos patrões e correm o risco de perder os direitos e benefícios conquistados com muita luta ao longo do tempo. Por isso, o exemplo de 40 anos atrás é uma lição que não podemos esquecer jamais.

Já provamos que com os trabalhadores e o Sindicato unidos na luta por um objetivo podemos passar por cima de leis que nos prejudicam.

A luta faz a lei.

Cícero Firmino (Martinha)

Presidente licenciado do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá

Osmar César Fernandes

Presidente em exercício do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá

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