Combustíveis caros penalizam trabalhadores

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Praticamente dia sim e outro também ouvimos a Petrobras anunciar mais um aumento nos preços da gasolina e do óleo diesel. Desde que a estatal informou em 3 de julho do ano passado que passou a ajustar os preços dos combustíveis diariamente, de acordo com o mercado internacional, a gasolina e o diesel subiram, respectivamente, 16% e 9,7% só neste mês de maio.

Ajustar o preço diariamente significa que pode ser tanto para elevar como para diminuir o valor, mas ultimamente só tem vindo aumento. Então, não é por acaso que desde esta segunda, dia 21, milhares de caminhoneiros estão protestando em todo o Brasil contra a alta desenfreada do preço do óleo diesel.

A reivindicação da categoria é a redução do preço final do óleo diesel, que fica mais caro ainda devido ao peso dos impostos federais e estaduais. Segundo dados da Fecombustíveis (Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes), na média, 27% do preço do diesel ao consumidor são impostos, ficando a maior parcela para os Estados, com o ICMS variando de 12% a 25%.

No caso da gasolina, a situação é um pouco pior. Os tributos correspondem a 43% do preço ao consumidor final, na média, sendo que o ICMS responde por 25% a 34% do valor total.

Enquanto isso o INPC só encolhe

Tudo considerado não é difícil concluir que quem sai perdendo com o aumento constante dos combustíveis são, principalmente, os trabalhadores e a população mais pobre. Basta citar que o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), inflação usada para reajustar os salários e a aposentadoria do INSS (Instituto Nacional de Seguro Social), acumula alta de apenas 1,69% em 12 meses.

Você não leu errado. Enquanto os combustíveis sobem quase todos os dias, para as categorias com data-base em 1º de maio, a inflação a ser reposta é de 1,69%. Logo, o carro pesa cada vez mais no bolso dos assalariados.

Não é só isso. A alta dos combustíveis tem impacto em cascata para a população de baixa renda. O diesel caro aumenta o custo do transporte coletivo, cuja tarifa já é bem cara. Nas sete cidades do Grande ABC, a passagem de ônibus custa até R$ 4,40.

O diesel impacta também no frete do transporte de carga. Para ter uma ideia, no Brasil, aproximadamente 60% do transporte de carga é feito por rodovia. Frete mais caro aumenta o preço dos produtos, principalmente dos alimentos.

Em defesa da Petrobras como patrimônio dos brasileiros

A Petrobras justifica que segue o padrão internacional com sua política de ajuste diário de preços dos combustíveis, a fim de preservar sua situação financeira. É saudável que a estatal apresente bons resultados financeiros, como o lucro de R$ 6,96 bilhões que obteve no primeiro trimestre de 2018, mas não a qualquer custo, penalizando a população de baixa renda.

Vale lembrar ainda que no fim do ano passado a população sofreu um bocado por causa dos constantes aumentos do gás de cozinha. Após chiadeira geral, a regra foi alterada para reajuste a cada três meses e, desde então, teve duas quedas de preço consecutivas, mas mesmo assim muitas famílias não têm condições de pagar entre R$ 68 e R$ 75, na média, por um botijão de 13kg.

Essa política de preços vem se somar a outras medidas, como venda de ativos, que só aumentam a desconfiança de que a Petrobras está sendo preparada para sua privatização. A estatal foi criada em 3 de outubro de 1953 pelo então presidente Getúlio Vargas, após a vitoriosa campanha “Petróleo é nosso”, que teve, inclusive, participação ativa do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá.

Preservar a Petrobras como patrimônio dos brasileiros, sem entregar de bandeja àqueles que só pensam em lucro, é garantir que toda população, em especial os mais carentes, possa adquirir os derivados de petróleo a preço justo.

Cícero Firmino (Martinha)

Presidente licenciado do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá

Osmar César Fernandes

Presidente em exercício do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá

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