Impunidade foi a senha para mais uma tragédia da Vale em Minas

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Se há uma unanimidade em torno do rompimento de barragem da Vale em Brumadinho, Minas Gerais, é que se trata de mais uma tragédia humana e ambiental anunciada, três anos e dois meses depois do desastre provocado pela Samarco, subsidiária da Vale em associação com a BHP Billiton,em Mariana, quando 19 pessoas perderam a vida e toda uma região cortada pelos 870 km do Rio Doce foi dizimada ambientalmente e não se recuperou mais.

Desde então, a Vale voltou a apresentar lucro vigoroso, se consolidou como segunda maior mineradora no mundo, mas não investiu na segurança e na modernização do descarte de rejeitos, que continuam sendo represados com o ultrapassado sistema de barragens.

Tudo igual como era feito em novembro de 2015. E sem a punição dos responsáveis pelo crime em Mariana. Pode-se dizer que a população foi a única punida, até hoje sem a prometida casa e sem o ganha pão com a degradação da natureza.

Vale foi criada por Getúlio Vargas

A CVRD (Companhia Vale do Rio Doce) foi fundada em 1º de janeiro de 1942 pelo então presidente Getúlio Vargas. Lucrativa, a empresa se manteve como estatal até 6 de maio de 1997, quando foi privatizada no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) pela bagatela de pouco mais de R$ 3,3 bilhões.

A justificativa esfarrapada para a desestatização era de que, sob o controle da iniciativa privada, a empresa expandiria seus negócios e seria mais eficiente com investimentos em novas tecnologias. As duas tragédias ocorridas em Minas Gerais no curto período de pouco mais de três anos desmentem essa premissa.

Reunidos após a tragédia da Vale em Brumadinho, representantes dos sindicatos dos trabalhadores no setor de minério denunciaram que, privatizada, a Vale não investiu na segurança e na modernização das instalações, privilegiando o lucro e a redução de custos para aumentar sua competitividade no mercado internacional. Não é por acaso que a Vale responde, hoje, por mais de 70% do minério de ferro exportado pelo Brasil, principalmente, para a China.

ONU alertou o Brasil sobre desrespeito aos trabalhadores

"Esse desastre exige que seja assumida responsabilidade pelo que deveria ser investigado como um crime. O Brasil deveria ter implementado medidas para prevenir colapsos de barragens mortais e catastróficas após o desastre da Samarco de 2015 em Mariana", disse à BBC Brasil Baskut Tuncak, relator especial das Nações Unidas para Direitos Humanos e Substâncias Tóxicas. Ele afirmou que a ONU alertou o Brasil reiteradas vezes sobre o desrespeito aos “direitos humanos dos trabalhadores e moradores da comunidade local”.

Não se pode acostumar com o inaceitável

Assim como em 2015, no calor dos acontecimentos e sob forte comoção, o que não falta são ideias como projeto para tornar crimes ambientais com morte como hediondos; convocação de uma CPI da Mineração no Congresso Nacional; mudanças na legislação e na fiscalização de barragens etc. Nesta terça, houve até prisão de cinco supostos responsáveis pelo laudo que dizia que a barragem em Brumadinho era segura.

No entanto, para por fim às tragédias anunciadas, é preciso que toda a sociedade não se acostume com o inaceitável. Que se indigne. Que cobre as autoridades até que casos como os de Brumadinho e Mariana não se repitam mais.

A responsabilização da Vale e de todos os culpados pelos dois crimes seria um bom começo. Não se pode admitir que a Samarcoaté hoje não tenha indenizado adequadamente os trabalhadores e moradores da comunidade afetada em Mariana. E que ninguém tenha sido punido pelo crime.

A impunidade é a senha para a próxima tragédia anunciada.

Não fique só. Fique sócio!

Cícero Firmino (Martinha)

Presidente licenciado do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá

Osmar César Fernandes

Presidente em exercício do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá

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