Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Motores

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No dia 8 de janeiro, a Anfavea (Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Motores) anunciou com toda pompa que as vendas domésticas do setor em 2018 cresceram 14,6%, na comparação com o ano anterior, e projetou para este ano mais um crescimento de 11,4%. Assim, a estimativa é de que a produção voltará a ultrapassar a marca dos 3 milhões de veículos em 2019.

Dez dias depois, o presidente da GM Mercosul, Carlos Zarlenga, comunicou aos trabalhadores das cinco unidades brasileiras, uma em São Caetano do Sul, que a permanência da empresa no Brasil depende da volta de lucratividade das operações ainda neste ano.

Pressão por precarização da relação do trabalho

Depois de fazer essa ameaça sem apresentar quaisquer números, a GM veio com um pacote de maldades, incluindo achatamento salarial, corte de benefícios, terceirização irrestrita, jornada intermitente, aumento da jornada de trabalho para 44 horas semanais e muitas outras conquistas a menos. Os trabalhadores rejeitaram a proposta inicial e um novo pacote, mais enxuto, foi apresentado pela empresa e ainda será avaliado em assembleia. Por outro lado, a montadora também está pressionando seus fornecedores por redução de preços.

Incentivos fiscais bilionários e remessas ao exterior

Não é de hoje que as montadoras usam a chantagem para tentar obter vantagens. Com essa tática o setor já se beneficiou de inúmeros incentivos fiscais concedidos pelos sucessivos governos federais. Com esses incentivos, as montadoras se livraram do recolhimento de bilhões de reais em impostos e não deixaram de fazer remessa de lucros para suas matrizes no exterior nem mesmo em 2015 e 2016, quando o Brasil sofreu forte recessão econômica. No auge do desempenho do setor, as remessas somaram quase R$ 3,3 bilhões em 2012.

Importância das montadoras na economia local

O episódio da GM, líder de vendas no Brasil há três anos, foi o estopim para trazer à tona a discussão sobre a presença das montadoras no Grande ABC e o futuro da própria economia da região.

Ainda hoje é comum ouvir que o movimento sindical atuante afastou a instalação de novas unidades das montadoras na região do ABC, o que não é verdade. E uma das alegações é de que o custo da mão de obra teria ficado inviável com a forte pressão sindical. As próprias empresas contribuem para propagar essa falsa motivação para a opção por investimentos em outras regiões do país, quando, na realidade, participaram de um verdadeiro leilão entre cidades interessadas em atraí-las com a prática de guerra fiscal.

 Mobilização de toda a sociedade é fundamental

Para o Grande ABC, a manutenção das montadoras é crucial, pois no entorno delas formou-se uma cadeia de empresas de todos os portes, que precisam produzir com qualidade, o que exige uma mão de obra preparada. É verdade que já foram perdidos milhares de postos de trabalho ao longo do tempo, mas o setor automotivo ainda é a locomotiva da economia local. A realidade nos mostra, por exemplo, que o setor de serviço só cresce se tiver uma indústria forte. Porque precisa de quem consuma seus serviços. A indústria responde por 23,2% do PIB regional. Ou seja, de toda a riqueza produzida no Grande ABC.

Então, a mobilização em defesa das montadoras na região, sem precarização das relações do trabalho, não deve ser só dos trabalhadores. Toda a sociedade deve se organizar para debater a questão de forma realista, pensando na região como um todo. É o desafio que temos pela frente.

Entidades internacionais reforçam ações contra ameaças da GM

Em reunião no dia 1º de fevereiro, líderes sindicais de várias categorias decidiram promover, juntamente com entidades internacionais, uma ação mundial contra as ameaças da GM de fechamento de unidades, demissões e redução de direitos trabalhistas. Organizado pelo movimento Brasil Metalúrgico, o evento teve a participação de mais de 100 dirigentes sindicais e teleconferência com representantes metalúrgicos estrangeiros.

Internamente, haverá a distribuição de jornal para mostrar à população a importância da mobilização de todos em defesa dos direitos trabalhistas, ameaçados com a reforma trabalhista em vigor desde novembro de 2017. Desta vez, é a GM que tenta precarizar as relações do trabalho, mas o problema existe em todos os setores.

O Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá foi representado por Cícero Martinha, presidente licenciado; Osmar Fernandes, presidente em exercício; secretário geral Sivaldo Pereira, Espirro; e os diretores Aldo, Loyola e Manoel do Cavaco.

Contrato coletivo

O Brasil Metalúrgico criou um grupo de trabalho que se encarregará da construção do contrato coletivo nacional de trabalho, a ser negociado com entidades patronais.

Não fique só. Fique sócio!

Cícero Firmino (Martinha)

Presidente licenciado do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá

Osmar César Fernandes

Presidente em exercício do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá

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