De reforma em reforma, somem empregos, direitos e aposentadorias

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Nesta quarta-feira, dia 20, completa-se um mês desde que o presidente Jair Bolsonaro apresentou à Câmara dos Deputados a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da reforma da Previdência, tornando a aposentadoria pública cada vez mais distante dos trabalhadores e trabalhadoras, ao fixar a idade mínima de 65 anos para os homens e 62 anos para as mulheres, além de impor tempo de contribuição de 40 anos para ter direito ao benefício integral. A aposentadoria por idade também ficará mais difícil, se a reforma for aprovada, pois o tempo mínimo de contribuição será elevado de 15 para 20 anos.

A proposta prejudica a população de baixa renda em geral, e as mulheres serão particularmente atingidas. Isso porque, segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), as trabalhadoras têm mais dificuldade de acumular tempo de contribuição do que os trabalhadores.

Por isso, as mulheres correspondem a 63% do total de aposentadoria por idade, ante 37% dos homens. O inverso ocorre em relação à aposentadoria por tempo de contribuição, que vai acabar com a reforma: dois terços são homens. Hoje, as mulheres podem se aposentar por idade aos 60 anos, mas, em média, só conseguem acumular os 15 anos de contribuição aos 63,3 anos. Agora, imagine se o tempo mínimo de contribuição subir para 20 anos, como a reforma propõe.

Reforma trabalhista não gerou empregos...

Assim como o governo Temer prometera, em 2017, que a reforma trabalhista geraria cerca de 6 milhões de empregos e aqueceria a economia, o governo Bolsonaro agora vem com a mesma promessa caso a reforma da Previdência seja aprovada neste ano.

Em 2018, primeiro ano de vigência da reforma trabalhista (lei 13.467/2017), em vez da criação de milhões de empregos, o Brasil fechou o ano com 12,2 milhões de desempregados, uma taxa de 11,6%. Entre os jovens, o quadro é mais dramático ainda. A taxa de desemprego ficou em 25,2%, mais que o dobro da média. Ou seja, a cada grupo de 100 jovens de 18 a 24 anos, 25 estavam desempregados. Os dados são do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia a Estatística).

... nem aqueceu a economia

Também a economia continuou patinando. Em 2018, o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu apenas 1,1%, repetindo o mesmo índice de 2017. Os primeiros números referentes a 2019 já acenderam a luz amarela. Em janeiro, o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do BC), considerado uma prévia do PIB, teve queda de 0,41% em relação a dezembro de 2018.

Já a atividade industrial teve queda de 0,8% em janeiro/2019, primeiro mês do governo Bolsonaro, na comparação com dezembro/2018, enquanto o comércio teve um ligeiro crescimento de 0,4% e o setor de serviços caiu 0,3%, segundo o IBGE. Todos os números ficaram abaixo das expectativas.

Este é o retrato da economia real, que não reage. No mundo especulativo, porém, pela primeira vez o Ibovespa chegou a ultrapassar a marca dos 100.000 pontos nesta segunda-feira, dia 18. Então, qual a explicação para a alta contínua na Bolsa de Valores? Embora ainda sequer tenha começado a andar na Câmara dos Deputados, é justamente a proposta de reforma da Previdência do Bolsonaro que acaba com a aposentadoria pública. São os rentistas de olho no dinheiro dos trabalhadores.

Sem reforma da Previdência Brasil entra em recessão, diz governo

Ao apresentar sua proposta de reforma da Previdência, o governo Bolsonaro partiu para a chantagem. Sem a aprovação da reforma, o desemprego pode chegar a 15% em 2023 e o Brasil entra em recessão já no segundo semestre de 2020, alardeia o Ministério da Economia.  Com a reforma, seriam criados quase 8 milhões de empregos até 2023, com o desemprego caindo quase pela metade.

Dá para acreditar nessas situações extremas pintadas pelo governo? O passado recente diz que não. Então, vamos à luta em defesa da aposentadoria pública.

Não fique só. Fique sócio!

Cícero Firmino (Martinha)

Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá

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