Aliados e opositores criticam os 100 dias do governo Bolsonaro

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“O governo é muito desigual. Há áreas (economia, segurança, infraestrutura) exercidas por profissionais de alta qualidade e outras ocupadas por ideólogos amadores que, em lugar de ideias, produzem ruído.” O diagnóstico sobre o governo Bolsonaro, que completou nesta quarta-feira, dia 10, seus primeiros 100 dias, poderia ser de um adversário político, mas o autor é o todo poderoso da economia durante o regime militar, o ex-ministro e ex-deputado federal Delfim Netto, em artigo publicado no jornal “Folha de S.Paulo”, edição do dia 27 de março.

O ex-ministro foi crítico também ao se referir ao resultado colhido pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) em sua recente viagem aos Estados Unidos: “A visita a Washington deu resultados pouco palpáveis.”

Falta habilidade para negociar com o Congresso

Fiel ao seu estilo, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), que, em 2018, disputou a eleição para Presidência no primeiro turno, foi direto no ponto: o Brasil “optou por um idiota; não é idiota como palavrão, é como está nos dicionários: uma pessoa com incapacidade de raciocinar”.

Já o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), toca no dilema do governo Bolsonaro no convívio com o Congresso Nacional, onde tudo tem de passar. Segundo FHC, o governo precisa ter uma agenda clara, um objetivo claro, para dividir o poder e governar com a coalizão. “Isso requer que o presidente tenha habilidade para negociar com o Congresso, tocar o Executivo e falar à nação; a pessoa nem sempre tem competência para todas essas diferentes funções”, afirmou.

A falta de diálogo do governo com o Congresso é criticada também por Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), que apoiou Bolsonaro ainda no primeiro turno das eleições. “O único regime que aceitamos é a democracia, que pressupõe política e políticos. Temos que sair dessa fase de achar que tudo na política não presta”, afirmou.

“Escola sem Partido ficou estigmatizada”

Defensor do projeto Escola sem Partido, uma das bandeiras do governo Bolsonaro, o vereador em São Paulo e um dos coordenadores do MBL (Movimento Brasil Livre), Fernando Holiday (DEM), provocou enorme confusão, há dois anos, ao invadir salas de aula e filmar professores. Agora se diz arrependido do que fez.

“O Escola sem Partido ficou estigmatizado como um projeto que vê o professor como inimigo. Quem o defende acaba associado a pessoas que querem censurar o professor. Muito disso se deve à comunicação equivocada pela direita”, afirma.

Popularidade desaba mas maioria mantém esperança

Claro que cem dias é um período curto demais para um julgamento de qualquer governo, mas a rápida queda de popularidade do presidente Jair Bolsonaro já acendeu a luz amarela. O presidente foi eleito com 57,7 milhões de votos há pouco menos de seis meses. Agora, 30% dos brasileiros disseram que consideram o governo ruim ou péssimo, segundo pesquisa realizada pelo Datafolha. É o pior resultado obtido, aos três meses de governo, entre os presidentes de primeiro mandato desde a redemocratização do Brasil.

Como sempre existe a esperança, na mesma pesquisa, 59% disseram que ainda apostam que Bolsonaro fará um bom ou ótimo governo nos três anos e oito meses que lhe restam. A ver.

O que melhorou ou não em áreas essenciais

Educação

No 98º dia do governo, o presidente demitiu o ministro Ricardo Vélez Rodríguez e nomeou o economista Abraham Weintraub em seu lugar. Sem apresentar projetos concretos em área tão crucial, como é a Educação, até mesmo o Enem, porta de entrada em universidades para milhões de brasileiros, corre o risco de sofrer atraso.

Previdência Social

Considerada prioridade zero pelo governo, a proposta de reforma da Previdência (PEC 6/2019) chegou ao Congresso Nacional no dia 20 de fevereiro. A proposta obriga o trabalhador a contribuir por mais tempo e diminui o valor do benefício, além de abrir brecha para a privatização da Previdência.

Salário mínimo

Sem a política de aumento real pela variação do PIB, em vigor desde 2007, o salário mínimo seria, hoje, de apenas R$ 576,00 em vez dos atuais R$ 998,00, segundo o Dieese. Ocorre que o ministro Paulo Guedes, da Economia, é contra manutenção dessa política, ao defender somente a reposição da inflação.  

Desemprego e subocupação

27,9 milhões de pessoas estão desempregadas, subutilizadas (com jornada inferior a 40 horas semanais) ou desalentadas (deixaram de procurar emprego por desalento), segundo a Pnad Contínua, do IBGE. É um recorde.

Inflação

Com a alta de alimentos e transporte, itens que atingem, diretamente, a população de baixa renda, o IPCA-15, a prévia da inflação oficial, subiu 0,54% em março, o maior índice desde 2015.

13º do Bolsa Família

Conforme promessa do presidente Jair Bolsonaro, os beneficiários do Bolsa Família receberão 13º no fim do ano, mas os benefícios não serão reajustados em 2019. Em 2018, o reajuste foi de 5,67%. Para 2020, não há nada definido.

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Cícero Firmino (Martinha)

Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá

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