Outubro quente na América do Sul

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A América do Sul está em transformação e em ebulição, envolvendo, além do Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Peru e Uruguai. A crescente desigualdade social, impulsionada por medidas liberalizantes em detrimento de programas sociais em alguns países, está na raiz dos acontecimentos.

Chile: o Chile é um exemplo mais bem acabado da doutrina liberal levada a fundo, desde a ditadura militar de Augusto Pinochet entre 1973 e 1990. Virou o queridinho de organismos como o FMI (Fundo Monetário Internacional), apresentando dados econômicos de causar inveja aos demais países da região quando analisados friamente. Porém, no dia 17 de outubro, a bolha estourou e a população foi às ruas mostrar sua insatisfação e não saiu mais até agora, deixando o governo Piñera impotente.

Argentina: há quatro anos, após 14 anos de kirchnerismo, a Argentina elegeu Maurício Macri, que assumiu o governo em dezembro de 2015 com a promessa de fazer reformas liberais e promover a retomada da economia. Deu tudo errado e, endividada, a Argentina recorreu ao FMI. No último domingo, dia 27, Macri perdeu a eleição para o peronista Alberto Fernández, cuja vice é a ex-presidente Cristina Kirchner, e vai entregar o país com inflação de 53,5% em 12 meses; previsão de queda do PIB em -2,6% neste ano após recuo de 2,5% em 2018; 35,4% dos argentinos na pobreza, sendo que a taxa de indigência subiu de 6,7% para 7,7% de 2018 para cá.

- Uruguai: por outro lado, no Uruguai, onde houve criação de programas sociais nos governos Pepe Mujica e Tabaré Vasquez, o candidato governista Daniel Martínez, da esquerda, tem grandes chances de vencer Luis Lacalle Pou, da direita, no segundo turno das eleições no dia 24 de novembro. O primeiro turno foi no dia 27 de outubro.

- Bolívia: em eleição realizada no dia 20 de outubro, o presidente Evo Morales foi reeleito para o quarto mandato, mesmo enfrentando forte discriminação de parte da elite boliviana por ele ser indígena. Assim, o resultado da eleição é contestado pela oposição, com o apoio de moradores das grandes cidades. Sob o governo Evo Morales, o país ainda é pobre, mas a taxa de desemprego é de apenas 4% e a variação do PIB é da ordem de 4,5% ao ano.

“A desigualdade é muito atrelada ao que a Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe das Nações Unidas) chama de cultura de privilégios, onde reformas se confrontam com grupos corporativos, que percebem na desigualdade uma forma de perpetuação de vantagens”, analisou o diretor da Cepal em Brasília, Carlos Mussi, em recente entrevista à revista Época.

Como fica o Brasil em meio a essa turbulência na região?

É preciso reconhecer que, antes mesmo da eleição presidencial em outubro do ano passado, Paulo Guedes, assessor econômico do então candidato Jair Bolsonaro, não escondia de ninguém ser a doutrina liberal a sua cartilha. Já ministro da Economia há dez meses, Paulo Guedes segue a risca a política agora questionada por uma multidão no Chile.

A começar pelo sistema de capitalização da aposentadoria.  Na tramitação da reforma da Previdência no Congresso Nacional, o assunto foi excluído graças à reação generalizada, mas nada indica que o governo tenha desistido da ideia. No Chile, a capitalização só enriqueceu as administradoras dos fundos de pensão, enquanto os trabalhadores estão sendo massacrados com baixíssimas aposentadorias, com benefício médio de US$ 220, o equivalente a cerca de R$ 880, um valor menor que o salário mínimo no Brasil, atualmente de R$ 998.

“É verdade que os problemas se acumulavam há décadas e que os vários governos não foram – nem nós fomos – capazes de reconhecer essa situação em toda sua magnitude. Reconheço e peço perdão por essa falta de visão”, desculpou-se o presidente chileno, Sebastián Piñera, sem conseguir deter os protestos.

Governo prepara mais um pacote de medidas ultraliberais

Para a próxima sexta, dia 1º, data em que o governo Bolsonaro completa 300 dias, o ministro Paulo Guedes ameaça apresentar ao Congresso Nacional mais um pacote de medidas ultraliberais, com privatização desenfreada; redução drástica de gastos públicos atingindo áreas essenciais como Educação e Saúde e novas investidas contra direitos trabalhistas sob o pretexto de gerar empregos para os jovens e idosos.

“Os trabalhadores querem menos direitos e mais trabalho”, afirma o presidente Jair Bolsonaro sempre que é questionado sobre o desemprego, que atinge 12,6 milhões de pessoas segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A pergunta que não quer calar: o governo combinou com os trabalhadores?

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Cícero Firmino (Martinha)
Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá

Adilson Torres (Sapão)
Vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá

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