De crise em crise, a economia continua estagnada

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No dia 31 de outubro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, líder do PSL na Câmara dos Deputados, provocou fortes reações em todos os setores democráticos ao admitir a possibilidade de um novo AI-5 no país (leia sobre Ato Institucional 5 nesta página). Este não foi um caso isolado, mas mais uma crise política aberta desde que o presidente Jair Bolsonaro assumiu há dez meses.

É em meio a mais esse imbróglio criado pelo ex-quase embaixador do Brasil nos Estados Unidos que o governo Bolsonaro apresentou ao Congresso Nacional, nesta terça-feira, dia 5, pacotes com medidas ultraliberais. Mais uma vez com a promessa do ministro Paulo Guedes, da Economia, de modernizar e desenvolver a economia brasileira e gerar milhões de empregos, o mesmo que prometera ao defender a reforma da Previdência que já foi aprovada no Congresso Nacional. Para esta quarta-feira, dia 6, está previsto ainda o megaleilão do pré-sal, com a estimativa de arrecadar mais de R$ 100 bilhões.

Economia brasileira continua patinando

No Brasil real, no entanto, o quadro está longe de uma economia prestes a decolar pra valer. A pesquisa Focus, realizada semanalmente pelo Banco Central ao ouvir o chamado mercado, prevê para este ano um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de apenas 0,9% e de 2% em 2020.

Outro dado que mostra a degradação da economia é a má qualidade do trabalho criado. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de cada 100 pessoas ocupadas, 41 estão no mercado informal, um novo recorde. Ou seja, 41% dos brasileiros com ocupação não possuem registro em carteira, nem direitos trabalhistas.

Então o que atrapalha desenvolvimento da economia?

A economia continua estagnada mesmo com a inflação estimada em apenas 3,29% para este ano. Além disso, o governo alardeia que nunca a taxa Selic, o juro básico, esteve tão baixo, atualmente de 5%, podendo cair mais ainda na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) em dezembro.

Então por que os investimentos andam tão baixos? Sem investimento, a economia não cresce de forma sustentada. Certo é que as crises políticas provocadas pela família Bolsonaro não ajudam em nada, pois o Brasil vive na corda bamba esperando a próxima bomba política estourar.

Lição que vem do Chile tem de ser considerada

Por outro lado, temos o exemplo do Chile, que, desde os anos 1970, em plena ditadura Augusto Pinochet (1973-1990), implantou as medidas liberais que agora o governo Bolsonaro quer adotar no Brasil. A economia do país cresceu sim, mas a grande massa da população chilena não tem proteção do Estado em áreas essenciais como Educação, Saúde e Previdência Social.

O estado mínimo adotado no Chile aumentou a desigualdade social. Não por acaso o país enfrenta protestos populares desde o dia 7 de outubro, e o presidente Sebastián Piñera continua sem entender o que está acontecendo por lá.

A lição que vem do Chile acendeu a luz amarela.

AI-5 endureceu o regime militar em 1968  

Na noite de 13 de dezembro de 1968, uma sexta-feira, o então presidente Marechal Costa e Silva assinou o AI-5, o ato institucional mais duro entre os 17 baixados pela ditadura militar (1964-1985), endurecendo o regime com fechamento do Congresso Nacional, cassação de direitos políticos, criação de aparatos de repressão, perseguições, prisões, torturas, assassinatos, aposentadorias forçadas e censura generalizada, entre tantas outras atrocidades. O Congresso só foi reaberto em outubro de 1969.

Na época, os trabalhadores amargavam brutal arrocho salarial, jornada de trabalho de no mínimo 48 horas semanais, ambientes de trabalho inseguros e sem voz para protestar. Segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), a defasagem salarial acumulada era de 49,05%.

Nesse contexto, foi a partir do fim dos anos 1970 que a categoria metalúrgica, com greves históricas lideradas pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá, conquistou reajustes acima da inflação, transporte fretado, restaurante no local de trabalho, convênio médico, melhores condições de trabalho com ambientes mais seguros.

Juntos somos mais fortes!

Não fique só. Fique sócio!

Cícero Firmino (Martinha)
Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá

Adilson Torres (Sapão)
Vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá

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