Sem perspectiva de crescimento, precarização se aprofunda

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Mal entrando no terceiro mês, 2020 já amarga previsões pessimistas para a economia brasileira. A deterioração veio mais rapidamente do que em 2019, quando o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) assumiu o cargo sob a expectativa de que o PIB (Produto Interno Bruto) cresceria em torno de 2,5%. Porém, o índice a ser anunciado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira, dia 4, deve ficar abaixo de 1%, mais um pibinho como dizem.

Por um lado, o pessimismo se deve em parte ao imponderável do impacto da epidemia do novo coronavírus na economia mundial. Nesta segunda-feira, dia 2, a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) alertou que “as perspectivas para o futuro da economia mundial são muito incertas”. 

Salário médio estagnado e retrocesso em programas sociais

Por outro lado, no Brasil há os problemas internos que são fortes fatores desestabilizadores. À crise política aberta pelo governo Bolsonaro contra o Congresso Nacional e o STF (Supremo Tribunal Federal), somam-se o salário médio estagnado em 2019 segundo dados do IBGE; salário mínimo sem aumento real em 2020; retrocesso nos programas sociais como o Bolsa Família; estoque de pedidos por benefícios do INSS na fila de espera (veja matéria nesta página).

Base da pirâmide à espera da liberação de benefícios

Para ter uma ideia, entre Bolsa Família e BPC (Benefício de Prestação Continuada), a estimativa é de que aproximadamente 4 milhões de brasileiros da base da pirâmide social e de todas as idades estão na lista de espera pela liberação desses benefícios, voltados à população mais carente. Isso numa economia como a do Brasil em que o consumo das famílias tem um peso imenso.

Em 2019, ainda de acordo com o IBGE, mesmo com todos os problemas sociais, foi o consumo de famílias que sustentou o pouco que o PIB cresceu. Entre outros motivos pela liberação parcial do saldo de FGTS; criação de empregos embora de má qualidade; crescimento de crédito.

Mais precarização com MP do Emprego Verde e Amarelo

Se não houver nenhuma guinada, tudo indica que vai ser mais um ano perdido em termos de economia. Nesse cenário, continua a prevalecer a máxima do governo Bolsonaro de que “é melhor emprego precário do que emprego nenhum”.

Está aí a medida provisória 905, a MP do Emprego Verde e Amarelo, que cria empregos para jovens sem CLT, sem convenção coletiva e com salário de, no máximo, 1,5 salário mínimo, sendo que o programa pode ser estendido às pessoas de 55 anos ou mais, a depender do andamento no Congresso Nacional.

Março Mulher: mobilização contra violência

No Março Mulher que está se iniciando, há muito por que as trabalhadoras precisam lutar, pois a desigualdade de gênero e de etnia prevalece de forma persistente no mundo do trabalho (leia matérias na página 4). Já a violência merece um capítulo à parte. O Brasil avançou muito em termos de lei para punir os agressores. Primeiro com a Lei Maria da Penha (lei 11.340/2006). Em 2015, veio a lei que caracterizou o feminicídio.

Enquanto os assassinatos violentos estão em queda, embora ainda em nível elevadíssimo, o feminicídio não para de crescer no Brasil. Na comparação com 2018, o crescimento desse tipo de crime em 2019 foi de 7,2%, com a morte de 1.310 mulheres, ante 1.222 em 2018. Esses números, no entanto, podem estar subnotificados, dada a precariedade das estatísticas em alguns estados.

Agora, é preciso avançar na luta por civilidade e respeito. É essa a luta.

Juntos somos mais fortes!

Não fique só. Fique sócio!

Cícero Firmino (Martinha)
Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá

Adilson Torres (Sapão)
Vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá

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