Sair da crise exige serviço público decente, emprego e democracia

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Desde o diagnóstico dos primeiros casos de confirmação do coronavírus no Brasil, em fins de fevereiro, quase 700 pessoas com suspeitas de contágio já foram submetidas a exames e a grande maioria foi liberada porque a doença fora descartada. O que tem garantido o atendimento gratuito e com exames realizados com rapidez que a situação exige é o SUS (Sistema Único de Saúde), criado pela Constituição de 1988.

Sem o SUS, 70% dos brasileiros que não têm plano de saúde teriam de se virar para pagar o exame e consultas ou ficar sem atendimento médico. Não é difícil de se prever que a saúde pública viraria um caos numa situação como a atual com o coronavírus a nos rondar. Claro que o SUS tem seus limites, como alerta o infectologista Dr. David Uip, que coordena o comitê de coronavírus no Estado de São Paulo: "Se todo mundo que tossir e tiver febre procurar a rede pública, não tem sistema que aguenta. Nem no Brasil nem no mundo".

Por que devemos cobrar serviços públicos de qualidade

É nas horas de crise que a importância de se exigir dos governantes em todos os níveis serviços públicos com qualidade fica mais visível. Um exemplo é o INSS (Instituto Nacional de Seguro Social). O sucateamento do órgão deixou milhões de trabalhadores na fila de espera por aposentadoria e outros benefícios previdenciários. Para suprir a falta de servidores públicos, o governo Jair Bolsonaro partiu para uma saída no mínimo discutível.

Enquanto o Brasil possui 11,9 milhões de desempregados segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em vez de abrir concursos públicos, o INSS vai contratar emergencialmente mais de 8.000 militares da reserva e servidores aposentados, que terão suas rendas aumentadas com o serviço prestado ao órgão. Pela medida provisória, esses militares e servidores podem, inclusive, ser contratados para trabalhar em outros órgãos federais.

Sem propostas, governo insiste em reformas para enfrentar crises

Nesta segunda-feira, dia 9, enquanto o mundo tentava entender o caos criado com a queda drástica no preço do petróleo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, veio com a já desgastada resposta de que a aprovação das reformas vai impulsionar a economia brasileira. Desde o desmonte da CLT (lei 13.467/2017), iniciado ainda no governo Michel Temer, os trabalhadores sabem que reforma significa retirada de direitos, precarizando o mercado de trabalho e sem gerar os prometidos milhões de empregos.

Centrais atuam contra a MP do Contrato Verde e Amarelo

O relatório da medida provisória 905, a MP do Contrato Verde e Amarelo que prevê aos jovens empregos sem a CLT e sem os acordos coletivos, está para ser votado na comissão mista do Congresso Nacional. O relator da MP, deputado federal Christino Áureo (PP-RJ), alterou alguns pontos da proposta original mas os prejuízos aos trabalhadores foram mantidos.

Assim, a Força Sindical, juntamente com outras centrais sindicais, vem atuando junto aos deputados federais contra esse retrocesso que retira mais direitos dos trabalhadores, taxa os desempregados e alivia os patrões ao desonerar folha e conceder-lhes outras facilidades com a chamada “bolsa patrão”.

Para o Dieese, MP 905 não gera emprego e reduz renda

“Além de cativar o empresariado com substancial desoneração, a MP adota medidas ainda mais radicais na legislação trabalhista. Permitir irrestritamente o trabalho em domingos e feriados poderá ser contraproducente, pois não gera empregos e reduz a renda dos trabalhadores”, diz o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) em nota técnica sobre a MP 905. Isso sem resolver o problema da elevada taxa de desemprego entre os jovens.

Convocado pelas centrais sindicais, o próximo dia 18 de março, quarta-feira, será o Dia Nacional de Lutas em defesa dos serviços públicos, empregos, direitos e democracia. Por um Brasil que volte a se desenvolver com justiça social.

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Cícero Firmino (Martinha)
Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá

Adilson Torres (Sapão)
Vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá

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