Alta de preço de alimentos e Mapa da Fome assombram Brasil

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No dia 9 de outubro, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) anunciou que o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), referência em reajustes salariais, subiu 0,87% em setembro, puxado pelo item alimentos e bebidas. Faltando um mês até a data-base da nossa categoria, em 1⁰ de novembro, o INPC acumulado de novembro de 2019 a setembro de 2020 é de 3,85%, e há item com inacreditável  alta superior a 50% apenas nos nove meses de 2020, conforme tabela nesta página. Além dos alimentos, a gasolina é outro vilão da inflação que está arrochando os salários dos trabalhadores e ameaçando empurrar milhões de brasileiros para a extrema pobreza.

 

Essa situação não pode ser explicada de forma simplista como faz o governo Bolsonaro ao atribuir a alta de preços dos alimentos às exportações e ao crescimento da demanda estimulada pelo auxílio emergencial. E o que fez o governo até agora? No inicio de setembro, o presidente Jair Bolsonaro afirmou: "Estamos conversando, estou pedindo um sacrifício, um patriotismo, para os grandes donos de supermercados, para manter o preço na menor margem de lucro”. Na época, o governo zerou o imposto de importação do arroz até o fim de 2020 e nada mais fez desde então. 

 

Escalada de preços progrediu e o Brasil flerta com Mapa da Fome

 

Se o auxílio emergencial for interrompido abruptamente, o Brasil corre sério risco de voltar ao Mapa da Fome, embora seja o quarto país mundial na produção de alimentos. Por isso, com o apoio das centrais sindicais, há uma corrente na Câmara dos Deputados, com o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) na linha de frente, batalhando pela manutenção do auxílio emergencial de R$ 600 até o fim de 2020 ou estendê-lo por mais seis meses com o valor mensal de R$ 300. Para tanto, é preciso colocar a MP 1.000 em votação. Por isso, aumenta a pressão cerrada sobre o deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara, já que a estratégia do governo Bolsonaro é deixar a MP caducar sem votação.

 

O que significa o Brasil voltar ao Mapa da Fome

 

O Brasil saiu do Mapa da Fome em 2014 graças, principalmente, ao Bolsa Família  criado oficialmente em janeiro de 2004. Mas a situação começou a se deteriorar em 2015 quando o Brasil entrou em recessão econômica. Durante a pandemia, na iminência do retrocesso de o país voltar ao Mapa da Fome, o auxílio emergencial de R$ 600 tirou milhões de brasileiros e brasileiras da extrema pobreza, mas o futuro do programa da transferência de renda é  incerto. Isso porque o governo Bolsonaro só quer tratar do assunto após as eleições municipais.

 

Lá vêm mais maldades aos trabalhadores?

 

Ou seja, apenas em dezembro, porque o presidente Bolsonaro não quer discutir no Congresso Nacional, agora, questões impopulares. Isso sinaliza que podem vir mais maldades aos trabalhadores e aposentados para viabilizar o Renda Cidadã ou o Renda Brasil, não importa o nome que se dê ao programa que substituirá o Bolsa Família.

 

Entre algumas das maldades já cogitadas estão mudança no abono salarial do PIS aos trabalhadores que recebem até dois salários mínimos; fim do desconto automático de 20% para contribuinte que optar por formulário simplificado da declaração do Imposto de Renda; congelamento de benefícios do INSS acima de um salário mínimo etc.

 

Mercado interno deveria ser preservado

 

O real é a moeda que mais se desvalorizou frente ao dólar em 2020, um estímulo a mais aos exportadores. Mas nada justifica o desabastecimento do mercado interno, a ponto de itens como o arroz e o óleo de soja terem encarecido mais de 40% nos nove primeiros meses de 2020.

 

O agronegócio, que conta com incentivos do governo e foi o único setor econômico que sobreviveu intacto à pandemia, deveria dar a sua contribuição pensando no Brasil e não agravar mais ainda o aumento de preço de alguns itens básicos de alimentos. O professor Luís Eduardo Assis, da PUC-SP e da Fundação Getúlio  Vargas, explica por que o Brasil não vai enriquecer nunca se continuar a exportar farelo de soja para engordar os porcos na China. Sem agregar valor com processamento de alimentos, a participação do setor agropecuário no PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro foi de 4,4% em 2019, mas já representou 17,7% em 1960.

 

Algodão, a bola da vez

 

 

A mais recente reclamação sobre preço vem do setor de vestuário. A cotação do algodão subiu muito diante da escassez da matéria-prima no mercado interno. Afinal, as exportações do algodão cresceram 240% em agosto. Como se vê, o peso no bolso dos trabalhadores vai além dos alimentos.

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Cícero Firmino (Martinha)
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