Só se combate racismo ao reconhecer que o problema existe e é persistente

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Enquanto o assassinato do negro João Alberto Freitas por seguranças brancos em uma loja do Carrefour, em Porto Alegre, começava a ganhar repercussão em todo o Brasil, na manhã de 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, o vice-presidente Hamilton Mourão declarou: "Pra mim, no Brasil, não existe racismo. Isso é uma coisa que querem importar para o Brasil". No dia seguinte, foi a vez de o presidente Jair Bolsonaro também partir para o negacionismo, que tem sido sua marca em questões sensíveis como pandemia do novo coronavírus e mudança climática.

 

"Aqueles que instigam o povo à discórdia, fabricando e promovendo conflitos, atentam não somente contra a nação, mas contra nossa própria história. Quem prega isso, está no lugar errado. Seu lugar é no lixo!", publicou o presidente no Twitter, sem manifestar a menor compaixão pelo assassinato de João Alberto. Da mesma forma como desdenha as quase 170.000 mortes provocadas pela Covid-19 em nove meses. A maioria de pobres e negros.

 

Presidente tem, sim, responsabilidade com a negação 

 

Coincidência ou não, na noite do dia 20, uma advogada ofendeu funcionários e clientes de uma padaria, em um bairro de classe média alta em São Paulo, com xingamentos racistas e homofóbicos. Foi solta e vai responder em liberdade. E o que a negação de racismo do presidente e do vice tem a ver com isso? Tem muito. Muita gente se aproveita do respaldo de autoridades para apostar na impunidade ao negar que sua atitude seja racista. Porque racismo existe nos Estados Unidos, mas não aqui, como diz o vice Mourão. E que o racismo no Brasil é invenção de esquerdistas.

 

Protestos se alastram em diferentes regiões do país 

 

Sempre que ocorrem episódios como o de João Alberto logo vem o anúncio de que os seguranças foram demitidos, que o contrato com a terceirizada foi cancelado e que os funcionários passarão por treinamento, como fez o Carrefour. Como se isso bastasse para resolver o problema. Nada mais falso pois não ataca o ponto central do problema, que é o racismo.

 

Desde o dia 20 de novembro, a reação à morte de João Alberto foi imediata e se espalhou rapidamente por diferentes regiões do país, com protestos que prometem seguir nas ruas.

 

Violência contra negros é face visível do racismo

 

Afinal, não é por acaso que os negros têm 2,7 vezes mais probabilidade de serem assassinados do que os brancos. Não é por acaso que 79% dos mortos por policiais são negros. Não é por acaso que, de 2007 a 2019, 57 crianças e jovens de 0 a 14 anos morreram no Rio de Janeiro vítimas de balas perdidas, a maioria negros e pobres, segundo a ONG Rio da Paz.

 

É preciso dar um basta a essa hipocrisia de negar o racismo. Porque só é possível combater o racismo estrutural ao reconhecer que ele existe e adoece o Brasil, dia após dia, com injustiça social e alta criminalidade. 

 

Juntos somos mais fortes!

Não fique só. Fique sócio!

Cícero Firmino (Martinha)
Presidente licenciado do Sibdicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá

Adilson Torres (Sapão)
Presidente em exercício do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá

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